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sexta-feira, 6 de maio de 2011

Apresentações teatrais a dois reais atraem público em BH

Por Poliana Abreu

O grupo de teatro “Espanca!” realiza pela segunda vez em Belo Horizonte a “Espanca à mostra”.  Até o mês de julho, o público poderá conhecer o trabalho da companhia pagando apenas R$2.

Segundo a produtora do Espanca, Aline Vila Real, a mostra pretende muito mais do que divulgar o trabalho realizado. “Serão, ao todo, 12 apresentações de cada espetáculo que, a preços populares, pretende estimular na platéia a paixão pelo teatro”.

Amores Surdos - foto divulgação

O Ator e um dos fundadores do grupo Espanca, Marcelo Castro, diz que é importante deixar os trabalhos à mostra porque poucos grupos fazem isso. Ressalta ainda que Belo Horizonte é carente desse tipo de iniciativa e a ideia de contemplar todos os trabalhos do grupo vem do fato de as peças, em conjunto, representarem uma espécie de progressão do pensamento teatral, uma identidade do Espanca, uma forma de mostrar a força das relações humanas no mesmo curso em que as peças foram produzidas. Marcelo nos fala que para eles seria mais fácil se manter em cartaz com uma peça só, por um determinado tempo, como fazem as outras companhias. Mas esse é exatamente o desafio, recriar criar a linha de raciocínio que eles, produtores, tiveram para que o público entenda quais foram os passos percorridos.

Cena do espetáculo Amores Surdos - foto: João Marcos Rosa
A sensação de estarrecimento, ao sair de uma apresentação, de que as relações humanas sejam realmente o pano de fundo para essas criações, nos deixa reflexivos. Talvez até por isso o nome da companhia nos incomode tanto após ter assistido a uma de suas produções. O espancamento quase passa a ser físico. Perguntado sobre a razão da escolha do nome do grupo, Marcelo explica de uma forma tão sutil que a confusão se instala novamente. Quem estava convencido de que fora para ser massacrado, agora sente como são as relações e qual é o peso delas para os envolvidos no processo de criação. Segundo Marcelo, o nome “Espanca!” vem de uma frase da primeira peça, Por Elise, “tem coisa que espanca e espanca docemente”, e como o grupo estava procurando por uma coisa forte e que falasse dessa urgência e da violência que são as relações humanas, achamos que encaixava. A espectadora, Fabianna Castro, entende que é uma forma de expressão livre e próxima do cotidiano das pessoas, “quem nunca conheceu uma família assim”, comenta.

A produtora do grupo, Aline Vila Real, diz que essa mostra faz as pessoas se aproximarem mais do mundo do teatro, da cultura e até do mundo real, humano, além do fato de ajudar a divulgar o trabalho do Espanca. 


Ingressos

Com a sede do grupo fixada desde janeiro ao lado do Nelson Bordello, na rua Araão Reis, o Espanca divide a atenção com os vizinhos, que atraem um público igualmente alternativo e reativo. Os Ingressos se esgotam rápido, diz Aline. A lista de reserva, feita com três dias de antecedência, contempla por vez 40 pessoas, mas o público não se intimida e aparece em peso, na expectativa de conseguir comprar os ingressos na hora. A lista de espera com os excedentes de domingo passou de quarenta nomes e a todo o momento chegava “mais um”. Com o Bordello fechado, Aline revezava os redirecionamentos,  ora mandava os retardatários para o espaço CentoeQuatro, ao lado da Praça da Estação, onde haveria outra apresentação, no mesmo horário, ora dava o número de telefone do grupo para quem quisesse participar da lista de reserva da próxima semana.


Incentivos

Atualmente, o grupo participa do Projeto Manutenção, da Petrobras, que foi o que possibilitou ao Espanca ter a sua primeira sede própria. Segundo Marcelo, esse incentivo é bastante específico e bacana, pois através dele o Espanca tem podido divulgar mais o seu trabalho, realizar várias oficinas e participarem regularmente de cursos. Para o segundo semestre, ele adianta que, terão mais três oficinas para o público e que o site está em processo de reformulação. Mas as novidades não param por aqui. Marcelo nos adiantou que em 2012 o Espanca estreia peça nova, com texto e direção do diretor argentino, Daniel Veronessi. Agora é acompanhar e aproveitar a temporada a preços super populares!


O Grupo

Nascido em 2004, em Belo Horizonte, o grupo já produziu três peças independentemente, são elas: Por Elise, Amores Surdos e Congresso Internacional do Medo, sendo premiados em variados concursos.

Por Elise
Vencedor dos prêmios APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) e Shell de Melhor Texto Teatral 2005. 
Listado pela revista Bravo! como um dos 100 melhores espetáculos de artes cênicas produzidos nos últimos oito anos no Brasil.
Grupo indicado ao Prêmio Shell na Categoria Especial, pela criação e concepção do espetáculo. 

Amores Surdos - foto divulgação
 Amores Surdos
Projeto de criação do Prêmio Estímulo às Artes – Auxílio Montagem – da Fundação Clóvis Salgado/Palácio das Artes.
Premiado no Usiminas Simparc (categorias Melhor Atriz e Texto) 
Grupo indicado ao Prêmio Qualidade Brasil, Prêmio Shell SP 2008 (categorias de melhor texto, direção e cenário).

Congresso Internacional do Medo
Projeto de criação vencedor do II Projeto de Co-Criação do Núcleo dos Festivais Internacionais de Artes Cênicas do Brasil.


 Parcerias

Em parceria com os grupos: Grupo XIX, de São Paulo (SP), e a Companhia Brasileira de Teatro, de Curitiba (PR), o Espanca realizou no ano de 2007 um encontro de teatro, com o objetivo de criar um espaço para o intercâmbio e para a reflexão artística. Essa ação recebeu o nome de "Acto 1" e deu tão certo que já teve realizada a segunda temporada, intitulada "Acto 2", que foi quando dessa vez os parceiros trouxeram a BH, trabalhos próprios e produções resultantes das parcerias, como Marcha para Zenturo e Barco de Gelo.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

CAPITAL COM NOVO HORIZONTE


BH ganha projeto que prioriza restauração de bens culturais
Por Bruno Menezes
Gabriela Francisca


                                                                                                        Foto divulgação


Em meio à verticalização lá estão eles: barrocos, góticos e neoclássicos. E neles rachaduras, cupins e pichações. Grande parte do patrimônio histórico e cultural de Belo Horizonte implora por socorro. Dos 700 monumentos tombados pelo CDPCM-BH - Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural do Município - 35 estão em péssimo estado e cerca de 140 em estado intermediário. São casas, prédios, praças, museus entre outros bens materiais e imateriais, os quais dependem da iniciativa, pública ou privada, para permanecer na história do município.
No último dia 12, a Prefeitura Municipal de Belo Horizonte lançou oficialmente o programa “Adote um Bem Cultural”. O projeto propõe que empreendedores contribuam realizando restaurações e manutenções nos patrimônios culturais da cidade. O projeto foi sugerido pelo Ministério Público Estadual, via Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico de Minas Gerais.
As diretrizes de proteção e monitoria dos bens culturais são estabelecidas pela Prefeitura de Belo Horizonte, através da FMC – Fundação Municipal de Cultura – e do CDPCM-BH. Os proprietários de um bem tombado podem ser beneficiados pela legislação urbanística e cultural, com incentivos como isenção de IPTU, a Transferência do Direito de Construir e a Lei Municipal de Incentivo a Cultura.
A empresa adotante custeia a restauração e manutenção do bem adotado por um período de dois anos. A atitude garantirá ao empreendedor um selo de Amigo do Patrimônio Cultural, além da publicidade veiculada junto ao projeto durante toda a execução. O empreendedor poderá inserir no patrimônio adotado uma placa de sinalização interpretativa, em um lugar definido pelo FMC, com informações sobre o bem adotado e a logomarca da empresa adotante.
Para o produtor cultural Léo Dovalho, o projeto representa a manutenção da história da cidade, além de ser uma oportunidade das empresas auxiliarem efetivamente com capital próprio e não com o dinheiro de toda a sociedade, como é o caso das leis de incentivo.  “O projeto é ótimo, pois é uma das grandes possibilidades de captar a verba sem ter de privatizar o bem. Em uma cidade em que as construções hoje em dia validam muito mais o terreno do que o bem patrimonial essa é uma grande proposta de arrecadação pra manutenção do bem. Quantos prédios históricos poderiam ser preservados se isso existisse antes? “, questiona o produtor.
 

Patrimônio e História do Município

A história dos patrimônios culturais de Belo Horizonte se mistura  à história da cidade, como é o exemplo da Igreja Sagrado Coração de Jesus, localizada a Rua Carandaí, no centro da capital. Construída em 1900, a Igreja é fruto da mobilização popular de 1894, quando fiéis se unem e arrecadam através de festas, rifas e barraquinhas o dinheiro para construção da matriz. Por intermédio do padre Francisco Martins Dias, o engenheiro Aarão Reis doou o terreno para construção da igreja. O projeto foi do carioca Edgar Nascentes Coelho e as pinturas do alemão Guilherme Schumacher.
O famoso Pirulito da Praça Sete foi originalmente construído em Capela Nova de Betim, atual município de Betim, entregue com atraso em 1922. O obelisco foi doado à capital e oficialmente inaugurado em 1924, nas comemorações de 07 de setembro. Nessa ocasião, a praça projetada por Aarão Reis mudava de nome, de 12 de outubro para 07 de setembro.
Obelisco da praça 7 é um dos locais que podem ser adotados no programa

Em 1929, o então prefeito Cristiano Machado decidiu centralizar as vendas dos produtos destinados ao abastecimento alimentício da capital. O prefeito reuniu os feirantes em um terreno com barracas de madeira enfileiradas, o espaço era descoberto e cercado pelas carroças que transportavam a mercadoria, a inauguração oficial do Mercado Central ocorreu em 07 de setembro do mesmo ano.
Essas e outras tantas histórias podem ser associadas ao acervo da capital mineira e é visando que essa memória não se apague que o projeto Adote um Bem Cultural foi criado.
Para adotar um bem cultural o empreendedor ou cidadão deve contatar o Conselho Deliberativo de Patrimônio Cultural do Município de Belo Horizonte, através do site www.pbh.gov.br ou pelo telefone (31)3277-5136 e solicitar o formulário de requisição.


Vandalismo em forma de palavras
Patrimônios são pichados e sujam a história de Belo Horizonte
Frases de protestos, acusações, religiosas e até mesmo um dialeto próprio. Tudo isso foi criado ao longo dos anos dando início a uma das mais condenadas práticas ilegais nas cidades brasileiras: a pichação. O ato de pichar é considerado crime ambiental e vandalismo, previsto na lei nacional. A pena para esta infração varia de três meses a um ano de detenção, além de multa.
Na contramão de projetos que visam à melhoria do ambiente visual da cidade de Belo Horizonte, existem grupos que se reúnem para depredar, destruir e pichar os patrimônios públicos. O local mais impensável por qualquer cidadão comum começa a ser o principal alvo dos pichadores que ocupam as cidades brasileiras.
Em Belo Horizonte os alvos são comuns. Viadutos, cartões postais da cidade, prédios altos, mas também muros recém pintados, casas e até mesmo lojas em qualquer local da cidade. Um dos principais grupos de pichadores de Belo Horizonte se denomina “os piores de Belô” e até hoje não se tem conhecimento se este grupo é organizado para a prática de outros crimes a não ser para a pichação.
"Os piores de belô" virou uma assinatura comum nos patrimônios da capital


Segundo ex pichador A.J. que não quer se identificar, o grupo não é nem mesmo uma organização, mas acabou virando uma mania entre os pichadores de Belo Horizonte. “Na verdade quando pichava nem mesmo sabia quem eram, foram ou vão ser os piores [de Belô], simplesmente pichar algo e assinar como ele dava a sensação de mais importância. O nome virou uma marca dos pichadores de BH”.
Alguns proprietários de comércio criaram o espaço do pichador em suas paredes externas, visando à conservação de outros locais importantes para o funcionamento do local. Em um supermercado no bairro Salgado Filho, região oeste da Capital, a aposta deu certo. No local o espaço reservado para os pichadores existem frases, ditados, mas as outras paredes continuam intactas.
“A cidade acaba se acostumando com esta visão. A gente passa pelas praças, pelas casas, por todos os locais e existe isso. Ninguém acaba, tentam melhorar, criam tintas que evitam a pichação, mas não tem jeito, sempre volta.”, diz exaltado o ex-proprietário de uma loja de ferragens, Sebastião Castilho.
A prefeitura Municipal de BH começou a utilizar nas obras de revitalização de alguns locais da cidade a tinta que não fixa o produto usado na pichação. A alteração da tinta parece surtir efeito, visto que os viadutos que foram revitalizados na Avenida Antônio Carlos ainda não foram sujos, mas o custo para esta alteração aumentou 6%, sendo retirados dos cofres públicos.
A cidade e os moradores continuam lutando contra a sujeira visual e buscando alternativas, resta saber se as pessoas que fazem este tipo de vandalismo vão em algum momento como a cidade pode ficar mais bonita com seus patrimônios preservados e limpos.

O que pode ser adotado?
Conheça quais os patrimônios culturais que podem ser adotados em Belo Horizonte

Conheça alguns exemplos de locais que podem ser adotados em Belo Horizonte
Ø  Pirulito da Praça Sete – Região Central de Belo Horizonte
    Ø  Prédio do Antigo cinemas México, localizado na Avenida Oiapoque com Rua Curitiba – Região Central de Belo Horizonte.
Ø  Edifício Candelária – Na praça Raul soares

Ø  Conjunto de Quatro casas – Rua Niquelina – Bairro Sta. Efigênia.
Ø  Casa cultural na Rua Euripedes Cunha – Venda Nova


Ø  Praça Santa Tereza – Bairro Santa Tereza
                                                                Praça de Santa Tereza