quarta-feira, 4 de maio de 2011

Programa Valores de Minas

Arte e cultura para o desenvolvimento de jovens, sua formação cidadã e crescimento pessoal

Leonardo Lôbo


Teoriais musicais, exercícios vocálicos, e por fim,  a tão esperada atividade prática, essa é a rotina dos alunos para as aulas de canto no espaço Valores de Minas, programa do Governo de Minas e Servas – Serviço Voluntário de assistência social -  que oferece oficinas de artes para jovens de escolas públicas estaduais. Desde junho de 2009, o programa faz parte do Plug Minas, Centro de Experimentação Digital, localizado no bairro Horto, ocupando um prédio de 1.200 metros quadrados. O espaço foi projetado levando-se em conta o caráter artístico e cultural das atividades.
Em 2003 o programa ganhou uma nova sede, onde funcionou uma unidade da FEBEM. Depois de totalmente reformado, o antigo centro de internação de menores infratores agora promove atividades que, em 2010, envolveram 15 mil jovens com idade entre 14 e 24 anos.No Valores de Minas são realizadas as oficinas de arte –  teatro, circo, música, dança e artes plásticas – oferecidas desde 2005, quando o programa foi lançado pelo ex governador Aécio Neves.
O objetivo em si não é formar artistas, mas capacitar os jovens para uma formação cidadã e crescimento pessoal, para que possam, por si mesmos, descobrir seus caminhos, sejam quais forem suas habilidades.
Há uma divisão em dois módulos, o primeiro é a iniciação destes jovens no universo das artes, já o segundo ou Multiplicadores de Arte e Cultura é voltado para os ex-alunos do módulo 1, interessados em se tornarem oficineiros. Eles podem atuar em programas do governo, como Fica Vivo e Poupança Jovem. As aulas acontecem quatro vezes por semana, das 18h às 21h.
Para Gabriel Mendes, aluno do módulo I, a experiência adquirida é fundamental para o seguimento de sua formação artística: “A sensação é única, para mim é uma coisa sem igual, o fato de serem tantas oficinas de uma só vez  faz com que se queira sempre mais e mais.Já possuía um contato com a arte antes do programa, me formei em Teatro no ano de 2010 pela escola de teatro NET, onde o curso profissionalizante teve duração de 2 anos e meio, e também cantei por cerca de 7 anos em coral, minha vontade é de aperfeiçoar meu conhecimento durante o programa”.
Gabriel também reforça um comentário sobre possíveis conflitos internos, gerados entre alunos: “Bem, a única e maior queixa que eu tenho a fazer é a falta de comprometimento de alguns alunos , em algumas aulas é praticamente impossível entender o que o professor tem a nos ensinar, é o tipo de coisa que querendo ou não atrapalha o desenvolvimento dos outros colegas que se empenham.Já houveram até discussões pesadas em sala por motivos de indisciplina.”
No final do curso, esses múltiplos talentos adquiridos ao longo do ano são exibidos. Substituindo uma formatura tradicional, os cerca de 500 jovens que participam anualmente do programa, se apresentam num espetáculo multidisciplinar.


Alunos em cena no espetáculo "O herói e a armadura", apresentado em dezembro de 2010 - Foto:divulgação.

Luiz Arthur, ator e diretor da Companhia Móvel de Teatro, já assistiu a diversos espetáculos dos alunos, ressalta a importância de projetos deste cunho e a intensa mescla artística dentro do programa: “O grande lance hoje é a interdisciplinaridade, a convivência de áreas afins. Não faço parte do núcleo regular do Valores de Minas, mas pude acompanhar sua implantação e as transformações pontuais ocorridas no passar dos anos . Minha esposa foi professora e coordenadora de teatro no Valores durante muito tempo e batalhou por cada um que esteve sob sua batuta, procurou contaminá-los da inquietude que deve mover o artista e sua função social. O Valores forma artistas sim. Só senhores da cena são capazes de dar integridade a criação de espetáculos tão consistentes como são os produzidos lá. Isto, claro, pela orientação segura de uma equipe que trabalha com afinco, muito mais pela oportunidade de fazer a diferença na vida dos participantes do que necessariamente pelo salário.”
O ator também se mostra impressionado com o nível artístico dos alunos ao fim das atividades anuais, até mesmo por se tratarem de jovens, que, em grande maioria nunca haviam tido contato amplo com o universo das artes: “Assisti quase todos os espetáculos, e o nível é alto. Dá orgulho, ainda mais pra mim, que sou professor há tantos anos, ver a diferença que faz quando um aluno entra de cabeça no contato com a arte e realmente quer vivenciá-la plenamente. Só estando lá, vendo ao vivo pra entender que os espetáculos não ficam nada a dever às melhores produções cênicas do país, realizações inesquecíveis para quem faz e pra quem vê“.
As seleções para o Valores de Minas acontecem uma vez por ano, onde os jovens de 14 a 24 anos são selecionados. Por meio de um convênio entre o Servas e a Secretaria de Estado da Educação, os alunos interessados em participar do programa são escolhidos. Eles têm que estar matriculados em escolas que fazem parte do projeto Escola Viva, Comunidade Ativa. Em seguida, passam por outra seleção, dessa vez feita pelo programa.


PROGRAMAS E PROJETOS SOCIAIS EM BELO HORIZONTE 
Ações possibilitam o resgate social de pessoas e famílias
O Terceiro Setor em Belo Horizonte tem se expandido de forma notável, gerando cada vez mais, um destaque para as atividades de cunho socio-educacionais  . Para muitos há uma constatação: o motivo é atuação ineficiente do Governo, especialmente, na área social. Na avaliação de especialistas diversos, as ONG’s, Fundações e Associações surgem, principalmente, para atender a demanda por serviços sociais, requisitados por uma classe economicamente menos favorecida, não atendida pelo Estado e agentes econômicos. Na análise desses estudiosos, diante da desigualdade social e da ausência de políticas públicas efetivas que atendam crianças e adolescentes, as ONG’s oferecem a este segmento uma ocupação real.
A cordenadora do projeto Corpo Cidadão, Mirian Pederneiras, explica que o programa busca, acima de tudo, preparar as crianças para viverem em sociedade, a partir da valorização de suas qualidades, da elevação da auto estima, do resgate familiar e da assistência: "A expectativa é que as crianças e os jovens atendidos pela instituição estejam cientes de que eles sejam a instituição, os atores , os protagonistas, coordenadores e diretores. Porém , este trabalho dura tempo, pois, precisa passar por um processo de ajuda e desenvolvimento da criança e do jovem, uma vez que , eles ainda estão aprendendo o que realmente é o trabalho, e o que é a formação pelo sujeito, justamente para ajudar a ampliar o olhar dessa crianças e jovens, para demais áreas. Desse modo, ele poderá escolher definitivamente qual a área que eles  mais se identifiquem, passarão  a ter um olhar voltado para o próximo."
O Corpo Cidadão é uma instituição sem fins lucrativos de direito público, e foi criada pelo Grupo Corpo, uma companhia de dança contemporânea, eminentemente brasileira em suas criações."Nós desenvolvemos uma metodologia de trabalho, onde escrevemos de forma coletiva, nas propostas políticas educacionais. Este processo é feito a longo prazo, pois, temos que comparar nossa teoria, o que está escrito com a nossa prática. Por isso, o Corpo Cidadão sempre disponibiliza uma proposta política educativa, já determinada sobre a maneira que estas atividades são desenvolvidas”.Conclui Mirian.
Tais ações socio-educativas podem ser encaradas como uma maneira de agir diretamente nas relaçoes humanas entre os jovens, seus familiares e todos os demais dentro da sociedade.Mas para Dênis Silva, professor da rede pública e ex-educador social, não tem como objetivo substituir o papel da família ou da escola: “Para que um projeto possa surtir efeito, mostrar fiéis resultados, é de suma importância a participação familiar. Reuniões entre pais e os representantes devem ser costumeiras. O contato direto busca melhorar a situação familiar já que interfere diretamente na condição da criança.”Dênis acredita que as crianças e jovens que participam de projetos são alunos mais responsáveis, interessados e aplicados na escola. O professor também afirma que estes projetos tendem a substituir o papel do Estado no que diz respeito à falta de políticas públicas voltadas para crianças que sofrem com problemas econômicos, sociais, e que não tem acesso aos direitos básicos.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Um vazio superficial

Ana Beatriz von Sucro  e Juliana Vallim

Com seu estilo ímpar, suas tramas trazem superficialidade com toques femininos aos personagens. A cineasta Sofia Coppola conquistou os jovens os tocando em seus pontos fracos.

Perto de completar seus 40 anos, dia 14 de maio, Sofia Coppola já se mostra um pouco mais madura em seu último longa, premiado pelo Leão de Ouro no Festival de Veneza. Um Lugar Qualquer (EUA, 2010) conta a história de um ator super  famoso de Hollywood, Johnny Marco (Stephen Dorff), que vive sozinho no hotel Chateau Marmont, em Los Angeles. Até o momento em que precisa cuidar da filha de 11 anos, Cleo (Elle Fanning). Com uma vida vazia e contornada de futilidades, a diretora mais uma vez insere, em Johnny Marco, sua marca de conflito existencial, sempre visto em seus personagens. Como uma certa preferência do público jovem, devido a esse amadurecimento de Coppola, seu último filme não foi bem aceito por essa faixa etária. A estudante de cinema Ana Clara Rios, de 23 anos, comenta sobre essa transição: “Sofia perdeu um pouco da atmosfera fotográfica característica de seu estilo. Em que a meu ver, parecia mais inocente e insegura. Ao contrário deste último filme, em que quase como um acerto de contas com seu pai, essa atmosfera se mostra mais crua.” Coppola faz aqui um filme quase autobiográfico. Sendo ela mesma filha de um diretor famoso, Francis Ford Coppola, reflete em Cleo o sentimento de solidão que deveria sentir quando seus pais viajavam a trabalho e a deixavam sozinha. Ou então, quando o pai a levava em suas viagens.
A diretora e roteirista sempre optou por esse universo de personagens com confrontos internos, como no caso do filme Encontros e Desencontros (EUA, 2003), em que retrata a esposa (Scarlett Johansson) de um fotógrafo bem sucedido no Japão. Ela se sente sozinha e vazia, até conhecer um ator famoso em decadência (Bill Muray), que também possui um conflito interno. O interessante é que em uma entrevista blog Omelete, Sofia contou que escreveu ao mesmo tempo Um lugar qualquer e Encontro e Desencontros. Dois filmes bem parecidos, mas com grau de maturidades diferentes, mostradas até nos próprios personagens.
Com todo esse mundo conflituoso que Sofia apresenta em todos os seus filmes, o jovem é o público que mais abraça as tramas. Ataídes Braga, crítico de cinema do Estado de Minas, explica a identificação dessa faixa etária: “ela é mais receptiva ao público jovem, porque fala de problemas comuns a eles, como a insegurança, comportamento, atitudes e a solidão. Em geral, sofrem suas consequências na atual sociedade contemporânea.”
A diretora tem uma identificação com suas personagens, suas apostas, crises e uma definição clara do que esperar delas. Segundo Ataídes, “os filmes de Sofia não são feministas. mas sim, femininos.” Pois Sofia não faz filmes com intenção de reivindicar os direitos das mulheres, ou seu espaço e lugar. E sim, filmes com uma sutileza e minúcias, que conectam o público aos personagens.  
Sofia Coppola é especialista em falar de pessoas que estão vivendo dentro de uma redoma de privilégios, mas que não tem o menor controle da vida delas de fato. Como o astro meio decadente que Bill Murray interpretava em Encontros e Desencontros (EUA, 2003). Ou a própria Maria Antonieta, a rainha que não conseguia decidir nada. Assim como o ator hollywoodiano Johnny Marco, que não decide aonde vai, nem o que vai fazer.
A partir desses pontos e personagens que Coppola pega seu público alvo, nessas semelhanças com o mundo e a cabeça dos jovens, em que sempre está faltando algo.  Como disse Ataídes Braga “uma geração repleta de questionamentos”.

 crítico de cinema Ataídes Braga

Sofia combinadinha

Faz pouco tempo que a queridinha dos descolados confirmou seu quinto-longa metragem, “Secret Door” (Porta Secreta) e, sem nenhuma surpresa, as velhas parcerias estão de volta. Kirsten Dunst e Sofia Coppola estão novamente juntas e pela terceira vez. A atriz americana que se destacou em Virgens Suicidas (2000), com cara de novinha e sorte de lux, angariou um bocado de fãs para a então iniciante Sofia. Seis anos mais tarde, Kirsten reaparece como Maria Antonieta para a alegria de muitos fashionistas e  pesar de alguns críticos e fãs. Como se não fosse o bastante, Sofia não fecha parcerias só com Dunst. Seus atmosféricos filmes são permeados por trilhas sonoras fantásticas, que são produzidas sempre por bandas de primeira linha. O duo francês Air é um exemplo legítimo, Nicolas Godin e Jean-Benoît Dunckel produziram a trilha original para o filme de estréia de Kristen com Sofia. E, na moderna Maria Antonieta, Air aparece novamente na ficha técnica do filme como produção musical, entretanto, dessa vez, inserem somente uma música de autoria própria nos dois CDs do filme. Já no longa lançado recentemente, Somewhere (Em um lugar qualquer) - que nada tem a ver com Dunst - a diretora combina músicas com seu marido, que também é integrante da famosa e francesa banda Phoenix. Os caras assinam toda a produção musical da história de Johnny Marco e sua filha Cleo.

Álbum produzido pelo Air para o filme Virgens Suicidas 


Desviante biográfica
Sofia sempre arruma um jeitinho – que poderia ser brasileiro – de se inserir na cena de suas personagens femininas, superficiais e oprimidas por um vazio existencial enorme. Não é preciso dizer do mundo que a cerca desde pequena, muito menos sobre o pai que tem e, também não é preciso muito esforço pra tentar imaginar sua vida. Entretanto, fatos curiosos chamam atenção dos espectadores ao notarem a marca dessa nova geração Coppola: Em “Maria Antonieta” Sofia, quase que drasticamente, fecha os olhos para dados cruciais da história da corte real francesa. A trama se desenrola somente diante da personagem central e toda a superficialidade, luxos, luxúrias e mundo colorido em que ela vivia, deixando de lado a vida fora do palácio, conta o estudante de cinema Eduardo Giffoni. Sofia omite fatos que desnorteiam o espectador: Luís XVI e Maria Antónia Josefa Joana de Habsburgo-Lorena, depostos e guilhotinados, por exemplo. E, apesar de desagradar a francesada toda em Cannes, traços de sua personalidade vão se moldando a cada nova película; Charlotte sem saber o que fazer da vida; Maria Antonieta desesperada pra ser aceita; a angústia pulsante das virgens suicidas e a superficialidade e incomunicabilidade de Johnny.
Sofia Coppola em set de filmagem




Copa do Mundo volta à América do Sul

Depois de mais de 50 anos o Brasil está de frente com os desafios de sediar o maior torneiro de futebol do planeta

Carla Danielle e Yvan Muls
 
O Brasil foi escolhido pela Fédération Internationale de Footboll Association (Fifa) para sediar a próxima copa do mundo de futebol em 2014. A decisão foi anunciada pelo presidente Joseph Blatter, em cerimônia na sede da entidade, na Suiça, no dia 30 de Outubro de 2007. Na ocasião, o presidente da entidade salientou que o país dos melhores jogadores do mundo, com cinco conquistas mundiais, terá o direito, mas também a responsabilidade, de sediar a Copa de 2014. Em seu discurso, afirmou que o fato da Colômbia ter desistido da candidatura não facilitou a escolha do Brasil como sede da competição.
 A realização do torneio no país depende do cumprimento de várias obrigações que estão no caderno de encargos da organizadora do evento. A Fifa obriga a garantia do uso da verba disponível para realização integral da Copa. O Brasil deve apresentar em tempo hábil estádios aptos (padrão Fifa) para realização dos jogos e treinamento.  Além disso, a entidade exige infraestrutura adequada do país como um todo. Itens como mobilidade urbana, aeroportos, hotelaria, possibilidade de realização de congressos e eventos, segurança, saúde, telecomunicações, facilidades para a mídia, dentre outros, serão rigorosamente avaliados.
Ao todo, 18 capitais concorreram para sediar os jogos da copa em 2014. Apenas 12 cidades-sede foram escolhidas em evento da Fifa em Bahamas, no dia 31 de maio de 2009: Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Cuiabá (MT), Curitiba (PR), Fortaleza (CE),  Manaus (AM), Natal (RN), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e São Paulo (SP). A escolha, segundo o secretário geral da Fifa, Jerome Valcke, obedeceu critérios técnicos, com base nos projetos elaborado pelas cidade e visitas dos membros do comitê organizador. Aspectos como a rede hoteleira, transporte urbano, segurança pública e opções de lazer também pesaram na decisão.

Estádios
A capacidade mínima de ocupação nos estádios exigida pela Fifa é de 40.000 lugares, sendo que o local de abertura deverá ter condições de receber 60.000 e o de encerramento 80.000 pessoas. Ela recomenda ainda que todos os espectadores possam assistir aos jogos assentados em cadeiras individuais, numeradas e com encosto de pelo menos 30 cm de altura. Os estádios devem ser equipados com banheiros limpos e em quantidade suficiente, corredores largos de entrada e saída e tribunas de imprensa bem aparelhados. Nas imediações dos locais dos jogos devem haver hospitais e estacionamentos.
Muito provavelmente o Rio de Janeiro receberá a decisão do principal torneio de futebol do mundo. A simples possibilidade do Maracanã reviver a histórica final de 1950 contra o Uruguai e ter um final mais feliz, o credencia para ser o palco da final. São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Porto Alegre e Salvador pleiteiam o pontapé inicial, porém a palavra final é da Fifa. Segundo Ricardo Teixeira, presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), a verba para as reformas dos estádios públicos serão provenientes de parcerias público-privadas e os particulares serão de responsabilidade dos próprios clubes. A entrega definitiva de todos os palcos para a Copa será em 31 de Dezembro de 2012, já que haverá a Copa das Confederações em 2013, que vai servir como uma prévia para o Mundial.
Caso o Brasil não cumpra as exigibilidades em tempo, a Fifa poderá transferir a realização do evento para outro país que já tenha estrutura para recebê-lo, como os Estados Unidos, por exemplo. Desafios à parte, o país espera receber 10% de turistas a mais de seu fluxo anual. No mês da Copa estima-se pelo menos 500.000 pessoas desembarcando nas doze cidades-sede.  A África do Sul recebeu 200.000 turistas na Copa de 2010. A média de público nos eventos anteriores foi de 400.000, com exceção da Alemanha, por estar bem localizada geograficamente, recebeu 2 milhões de expectadores. Calcula-se que o Mundial no Brasil consumirá 5 bilhões de dólares, uma vez que haverá muito a ser feito. O argumento do Governo Federal para o gasto público destinado à realização da Copa no Brasil é que o certame não só trará emprego mas deixará um legado de obras urbanas que beneficiará toda a população mesmo após seu término.  A história revela que o impacto econômico de um país com a realização do evento acresce o PIB entre torno de 1,4% e 1,7%, foi o que ocorreu na França em 1998 e na Alemanha em 2006 respectivamente.

Belo Horizonte na Copa de 2014
O Brasil tinha um pouco menos de sete anos para estar pronto para receber a Copa de 2014. As cidades tiveram quase dois anos para apresentarem seus projetos e menos dois para os realizarem. Dois anos se passaram e matematicamente agora faltam apenas três para data de realização do evento. O prazo começa a ficar curto para finalização de todas as obras estruturantes necessárias.
O cronograma das obras do estádio Governador Guimarães Pinto, mais conhecido como Mineirão, em Belo Horizonte, uma das cidades-sede, apresentado pelo Governo do Estado era do segundo semestre de 2010, com prazo de entrega em Dezembro de 2012. Para Sérgio Barroso da Secretaria Extraordinária da Copa do Mundo (Secopa), “O Mineirão será o primeiro estádio pronto para a Copa. Faremos a reinauguração no dia 31 de dezembro de 2012 e isso vai nos credenciar a ter papel importante na Copa das Confederações em 2013 e também na Copa do Mundo Fifa Brasil em 2014”.
As obras, segundo o secretário, estão em ritmo acelerado e em dia com o marco regulatório estabelecido com a Fifa. As reformas entraram na terceira e última fase que compõem o maior custo de execução que é de R$654 milhões. Os recursos serão provenientes da empresa Minas Arena, constituída pela Construcap S.A Indústria e Comércio, Egesa Engenharia S.A e Hap Engenharia Ltda. Esta fase do projeto é a adequação do estádio ao mais alto padrão de qualidade estabelecido pela Fifa.
Segundo o diretor presidente do Minas Arena, as demolições internas estão em fase final e 25% das escavações para sustentação da nova arquibancada foram realizadas. As fundações serão o próximo passo na área externa, que darão sustentação a futura esplanada.  “Os trabalhos de demolição e fundação demandam um bom tempo para execução. Quando entrarmos na modernização propriamente dita todos vão se surpreender com a rapidez da evolução”, explica Barra.
A esplanada em torno do estádio funcionará como área de convivência aberta às famílias e a turistas. O espaço aberto ao público transformará o Mineirão em uma arena multiuso para eventos de outras modalidades esportivas, de lazer e cultura.
Negócio e sustentabilidade
O modelo de negócio estabelecido pelo Governo de Minas para a reforma e administração do Mineirão é a gestão compartilhada, inspirada nas grandes arenas que são geridas desta forma, como na Alemanha, Holanda e França. O secretário afirma que é bom negócio para o Estado que não serão investidos recursos públicos diretamente nas obras e o consórcio tem assegurado retorno dos investimentos aplicados. O Governo controla e monitora tanto as obras quanto seu funcionamento após a reabertura, garantindo o lucro para o setor privado e reduzindo a necessidade de suas contrapartidas. O prazo de concessão é de 25 anos, tempo que o consórcio poderá explorar e operar os negócios.
Os clubes mineiros, América, Atlético e Cruzeiro, também serão contemplados neste modelo. Os responsáveis máximos por atrair grande público aos gramados nos dias de jogos terão às rendas de bilheteria e estacionamento garantidos, além de acordos comerciais que poderão ser firmados. Mas o contrato estabelece indicadores de desempenho. Caso os desempenhos de gestão e resultado fiquem abaixo do esperado poderá haver sanções e até mesmo interrupção da concessão.
Práticas sustentáveis estão estabelecidas no projeto de revitalização e modernização da arena. A assessora de comunicação da Secopa, Juliana Alvim, afirma que o novo estádio prioriza desde a obra, padrões, ferramentas e procedimentos aceitos internacionalmente como ecologicamente corretos. O objetivo é “obter a certificação Leed (Leadership in Energy and Environmental Design), destaca Alvim.
Para isso é usado resíduos provenientes de outras demolições, a água da chuva é armazenada e reaproveitada. Na nova estrutura de cobertura do estádio haverá geração de energia elétrica através da captação solar por meio de células fotovoltaicas. A capacidade de armazenamento destas placas seria suficiente para atender 750 residências gerando economia. A iluminação será de alta eficiência, baixo consumo e sistema elétrico inteligente. E o lixo terá sistema de coleta seletiva e armazenamento de resíduos sólidos, conforme explicação do presidente do Minas Arena e coordenador das obras, Ricardo Barra.
Mobilidade em BH
Há previsão da reforma e expansão do terminal 1 e construção do terminal 2 do Aeroporto Internacional Tancredo Neves (AITN), com prazo de conclusão em outubro de 2013 e junho de 2014 respectivamente. Além da ampliação de pista e pátio prevista para ficarem prontas em junho de 2013. Nas obras serão consumidos aproximadamente R$ 252 milhões da União. A modernização e ampliação da rodovia LMG 800 que muda o traçado de acesso ao aeroporto será concluída em junho de 2013. 
 Veja o andamento das obras do Mineirão:

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Espaço para o espetáculo

Escolas abrem teatros em suas dependências para apresentações artistas

Por Gislainy Borges e Rômulo Abreu


 
"O Teatro é um templo, onde o altar é o palco e o ator é o sacerdote; e onde a arte cênica é reverenciada através do aplauso dos fiéis espectadores”. O famoso verso de Dilson de Oliveira Nunes serve para explicar um dos principais motivos que levou a sociedade a apreciar essa arte.
Em Belo Horizonte escolas particulares introduziram o teatro em seus espaços, alguns para a participação escolar e outros, aberto ao público com a exibição de peças comerciais. De acordo com a historiadora, Rita de Cássia, alguns teatros de iniciativa privada são relevantes para o panorama cultural da cidade, como os teatros Santo Agostinho, Izabella Hendrix, Santa Dorotéia e Dom Silvério. Todos esses com grandes auditórios, possuem também em comum,  origem religiosa e européia. O Colégio Santo Agostinho pertence à ordem agostiniana e o colégio Santa Dorotéia, que além de possuir origem religiosa é  italiano.
O Teatro Dom Silvério, construído em 1995, com estilo clássico, relembra os grandes teatros do século XX. É considerado o local com maior número de atividades artísticas da cidade, por ter as suas atividades associadas à casa de show Chevrolet Hall. Grandes artistas do cenário nacional e internacional já passaram pelo local. O Espaço, como conta a programadora do teatro, Maria Carolina Costa, abriu suas portas com o propósito de atender à demanda do colégio Dom Silvério. Hoje, de acordo com Maria Carolina, o teatro é administrado por outra empresa, mas mantêm vínculos com a escola.
“Atualmente a administração do teatro e do Chevrolet Hall são desvinculadas da administração do colégio, mas têm uma relação de cumplicidade já que fazem parte de uma mesma instituição”, esclarece Maria Carolina. A programadora salienta que o teatro inclui até hoje em seu cronograma aulas de teatro, exibição de filmes e outras atividades extraclasses que são realizados em parceria com o Colégio Dom Silvério.
Enquanto alguns teatros como o Dom Silvério se desvinculam do colégio e ganham características comerciais, por outro lado, há o colégio Santa Dorotéia, que fez o caminho inverso. Localizado na região sul da capital o teatro se desligou em 2007 completamente dos circuito comercial da cidade e passou a ser usado exclusivamente de forma pedagógica.

Desde 2007 a escola passou a gerenciar o local 

Para o professor de teatro, Marcelo de Oliveira, a iniciativa da escola em fechar o teatro ao público externo e dedicar-se somente aos alunos, surgiu da dificuldade da instituição em apresentar seus próprios projetos. O professor diz que o teatro estava sempre ocupado com peças que não pertenciam ao colégio. Para Oliveira a mudança de postura da escola se deve a percepção da  relevância pedagógica do teatro: “O teatro é a arte da coletividade. Vivemos em sociedade e necessitamos manter relações sociais. O trabalho teatral é coletivo e ele resulta, no caso das escolas, não só na sala de aula, mas também durante a vida desses meninos e meninas”, frisa.

Segundo o chefe de palco do Teatro Santo Agostinho, Juliano Ventura, os “teatros-escolas” são importantes para a cidade, pois são mais uma opção de espaços culturais e, além disso, aliam o que é feito no palco com as atividades dos colégios. “Há uma troca de saberes, de experiências e quem sai ganhando são as pessoas que tem a oportunidade de conhecer e participar desse universo”, afirma. Mas esses espaços enfrentam problemas como conta Ventura. O maior deles diz respeito à ausência de estrutura e equipamentos. O chefe de palco cita outros problemas como a falta de investimentos e leis que ajudem a manter esses espaços
O diretor de ação cultural da Secretaria Municipal de Cultura de Belo Horizonte, Rodrigo Barroso, também acredita que a maior dificuldade é a infraestrutura desses teatros nas escolas. Segundo o diretor a maioria das escolas possuem auditórios e não teatros. Para Barroso falta investimentos e adequações técnicas como sonorização, dimensão de palco de maneira a transformar esses locais em espaços artísticos.  “Mas acima de qualquer dificuldade, o que falta é uma mudança de comportamento da população que ainda vê os teatros como espaços elitizados”, conclui.
 Arte para transformar

Construído em 2000, o teatro do colégio Santa Dorotéia desenvolve projetos relevantes na área pedagógica. A princípio, o auditório da instituição de ensino era utilizado para práticas artísticas e já foi palco de diversas peças conhecidas do público em Belo Horizonte, como “Feliz Cidade”, “Azarado” e o infantil “Mogli, o menino lobo”. No entanto, a direção da escola despertou para a realização de trabalhos voltados para a comunidade acadêmica, como parte da formação de seus alunos. Uma tentativa promissora de usar a arte para lapidar o caráter daqueles que têm o futuro em suas mãos.
Os projetos fazem parte de atividades extracurriculares
Desde sua inauguração, o teatro foi administrado por uma empresa que tratava de abrigar o cenário artístico da capital mineira em seus palcos e coxias, não considerando o conteúdo dos espetáculos. A partir de 2007 a escola passou a gerenciar o local, com o intuito de adequar e restringir as peças às tradições da instituição, que tem fundamentos cristãos.
Estabelecendo um maior contato com o universo teatral, o colégio foi percebendo a importância das artes cênicas na orientação pedagógica de seu corpo discente e viu ali uma oportunidade de agregar à grade curricular da entidade conteúdos que aproximassem os alunos desta expressão cultural. A área pedagógica da escola começou a desenvolver várias adaptações de obras literárias, nas quais os estudantes pudessem participar da concepção da peça. Os projetos são oferecidos gratuitamente e são atividades extracurriculares.
O professor Marcelo Oliveira, que leciona no Santa Dorotéia a nove anos, explica que a proposta do colégio é contribuir na formação do caráter das crianças e jovens, como uma alternativa para preparar o indivíduo para as relações coletivas. “Problemas de relacionamento e acompanhamento pedagógico nesse sentido é bem diferente em outras escolas. Em outras escolas trabalha-se a técnica para apresentar o espetáculo e nós trabalhamos o individuo para o coletivo.”
Hoje, noventa jovens estão envolvidos com as produções. No fim de 2010, os mesmos representaram espetáculos baseados em clássicos como “No país dos Prequetés” de Ana Maria Machado e “Viagem ao Céu”, de Monteiro Lobato.


Teatro como agente social

A missão social do colégio Santa Dorotéia vai além da formação de seus alunos. Há uma preocupação em favorecer crianças com menos oportunidades de acesso cultural e por esse motivo, a escola desenvolve atividades em parceria com a comunidade do Morro do Papagaio, uma das maiores favelas de Belo Horizonte.
Uma equipe de profissionais do Santa Dorotéia oferece oficinas de teatro para alunos do ensino fundamental da região carente e apresenta às crianças o mundo fascinante dos clássicos de Willian Shakespeare. O projeto está concebendo vários clássicos do dramaturgo inglês e os atores são meninos de oito a doze anos.
Professores são capacitados para guiar os jovens no teatro
O plano da instituição é ousado. O envolvimento de jovens que, não raro enfrentam uma dura realidade desde os primeiros anos de vida, com as artes é um método de combate preventivo à violência, que costuma fazer essas pessoas personagens/vítimas de suas tramas. Mas para trabalhar o caráter de cada indivíduo, a escola busca preparar aqueles que terão o desafio de cuidar dessas vidas. Para tanto, professores são capacitados para que tenham condições de guiar os jovens através do teatro, a fim de orientá-los em como lidar com o perfil psicológico e os variados tipos de comportamento de cada criança.
O professor Marcelo Oliveira comenta os resultados desse trabalho e frisa que o foco da escola é preparar o cidadão no aspecto individual, com o objetivo de desenvolver a personalidade e fortalecendo os vínculos sociais e até mesmo a capacidade de expressão e interação. “Apesar de ter um trabalho voltado para o individuo e sua formação, esse trabalho é coletivo e resulta na sala de aula. Esse é o diferencial. A nossa função é desenvolver no indivíduo técnicas de teatro para que ele desenvolva na sala de aula para apresentar um bom trabalho e melhorar a comunicação”.

domingo, 1 de maio de 2011

A importação nos bolsos dos brasileiros


Quem compra CDs importados corre o risco de pagar um valor 100% mais alto, que o valor original
POR: ANA FLÁVIA TORNELLI, CAMILA FALABELA, JOÃO PAULO VALE


Quem nunca desistiu de comprar um álbum importado de uma banda favorita, por causa do preço? Uma pesquisa realizada no site norte-americano, Amazon, e no brasileiro Submarino, comprova que a diferença no preço do produto importado para o Brasil, pode chegar a 100%. Em certos casos, a própria versão nacional do CD sai mais cara do que o mesmo produto lançado no país de origem do grupo, mesmo levando em conta as taxas, tarifas e impostos.
Além disso, a demora no envio dessas mercadorias afeta diretamente o comportamento do consumidor, geralmente fã de determinado grupo, que pode buscar outras alternativas para satisfazer seu desejo de apreciar a música do artista favorito.
            Em alguns casos, para quem não tem parentes ou conhecidos no exterior, encontrar uma importadora no país ajuda os consumidores a pagar um valor um pouco mais baixo. É o que afirma a Gerente Fiscal, Regiane Donadi, de 29 anos. “Eu encontrei uma importadora aqui (São Paulo) muito boa e mais barata em relação às outras lojas. O preço do CD fica muito próximo do valor encontrado lá fora”, afirma Regiane. Ela ainda reclama que alguns produtos, inclusive CDs, que não têm a intermediação de uma importadora, são barrados na Receita Federal, se tiverem o valor superior a 50 dólares. “Se você quiser retirar o produto, terá que pagar mais imposto. Depende se você está disposto a correr o risco ou não”, complementa Regiane.
            De acordo com a Receita Federal, mercadorias até 50 dólares estão isentas de impostos. Caso contrário, a tributação é de 60% sobre o valor da mercadoria, acrescido o custo de transporte e do seguro relativo ao transporte, caso não estejam inclusos no valor final da mercadoria.
Rafael comprou a versão importada e nacional do CD, e não viu diferença nenhuma, apenas no preço

            Há casos em que a situação se inverte, o que mostra como o mercado é, de certa forma, incoerente. O estudante de jornalismo Rafael Soal pagou R$ 54,90 na versão importada do CD “Phrazes For The Young”, primeiro álbum da carreira solo do vocalista da banda The Strokes, Julian Casablancas. Algum período depois, o estudante constatou que a versão nacional do CD estava custando R$ 19,90, e com uma triste constatação: “Os discos são idênticos! Mesmo encarte, fotos, rótulo. Hoje, eu só voltaria a comprar um importado se fosse algo raro, ou então que fosse demorar muito pra chegar ao Brasil”, complementa Rafael.


Quem é fã não vê preço, mas vê qualidade

A estudante de jornalismo Priscila Mendes coleciona CDs e DVDs  internacionais. Entre suas bandas preferidas estão: U2, Pink Floyd e Led Zeppelin.  Para Priscila, que afirma só comprar discos originais, a qualidade dos importados é superior aos adquiridos no Brasil. “Certa vez paguei muito caro por um DVD original, e ao chegar em casa, percebi que ele não tinha o encarte. Devolvi o produto e fiz a solicitação pela internet, em um site americano. Poucos dias depois o DVD chegou à minha casa, com encarte, fotos, letras das músicas e isso pela metade do preço”, afirma a estudante. Depois do ocorrido, a estudante passou a adquirir todos os seus discos através de sites de outros países, principalmente em sites do país de origem da banda. “Além de pagar menos, o produto chega bem rápido, minha última aquisição foi pelo site Amazon. Sete dias após a compra, o CD chegou em minha casa pelos Correios” afirma a colecionadora.
Em situação igual a de Priscila, o estudante de engenharia Márcio Campos valoriza a qualidade do disco. “A qualidade é mais importante que o preço, mas se puder juntar os dois, melhor, claro! Como sou apaixonado por músicas e bandas internacionais, faço buscas diariamente em sites do exterior para, só depois, realizar a compra. Acho que há anos não compro um CD aqui no Brasil”, complementa Márcio.
Para o Produtor Fernando Maia, o que as pessoas não sabem é que produzir um disco custa muito caro. “São várias as fases de produção: gravação, masterização, arranjos, registros e legalização, enfim, o processo é demorado e exige muita atenção e dedicação. Além disso, sai caríssimo, o que justifica os altos preços cobrados pelo produto”, explica o produtor.
           

Pirataria: o pesadelo das grandes gravadoras

A Internet traz a facilidade de se buscar uma música desejada a qualquer hora, seja o sucesso do momento ou uma relíquia dos anos 20. Com relação aos custos, a Internet os reduziu a zero. Não se paga pela música baixada, somente pelo provedor, que oferece outras tantas facilidades. Entretanto, para se comprar o CD, é preciso sair de casa, se locomover até um centro comercial mais próximo, ir à loja de discos, escolher o disco, enfrentar a fila, pagar pelo produto e fazer todo o caminho de volta para casa. Além do custo financeiro, que na maioria das vezes é alto, perde-se um tempo gigantesco com esse processo. Em um mundo agitado como o que vivemos hoje, onde as pessoas vivem sem tempo e com muita pressa, a opção de baixar músicas pela internet tornou-se mania e cada vez mais pessoas têm aderido à idéia.


Campanha contra a pirataria

Outro grande pesadelo das produtoras e artistas do mercado musical é a tão conhecida e temida pirataria, atividade ilícita existente desde a época das grandes navegações. Atualmente, não é mais praticada a bordo de um navio e pode ser encontrada em vários setores do comércio, desde roupas até jóias. Alguns dos itens mais cobiçados pelos falsificadores são cigarros, CDs, roupas e perfumes.
Com os preços cada vez mais altos de DVDs e CDs, a pirataria pode ser uma opção dos consumidores e, por isso, ela acaba sendo uma solução encontrada por muitos para superar os altos preços. Para a dona de casa Sônia Miranda, consumir produtos piratas é a única alternativa para quem, assim como ela, não consegue pagar o preço estipulado pelas produtoras. “Eu não compro CDs piratas porque gosto, mas sim porque não vejo alternativa. Os discos estão cada vez mais caros e menos acessíveis. Sei que é ilegal, mas enquanto o preço não diminuir, vou continuar apelando para as falsificações” afirma.
É o mesmo caso da Engenheira de Alimentos Débora Maciel. Há mais de cinco anos ela usa a Internet como forma de adquirir as músicas preferidas. Para Débora, baixar músicas “é uma alternativa mais prática, econômica onde se pode variar mais  não só na quantidade, mas também  nos diferentes estilos musicais”.
O publicitário Otávio Augusto já prefere comprar CD , porém não tem dinheiro. “Os CDs estão cada vez mais caros, e ultimamente não podemos gastar com isso. Mas para mim, que sou grande admirador da música, nada como um CD na minha prateleira.”
Uma solução tardia partiu da gravadora Arsenal Music, casa de bandas como NX Zero, Fresno e CPM 22. O “Music Pac”, consiste no CD propriamente dito, mas com uma embalagem economica. Essa medida reduz em até 50% o valor final do CD. O álbum “Redenção”, dos gaúchos da Fresno, lançado em 2008, na versão comum, custa R$ 21,90. A versão “Music Pac”, reduziu esse valor praticamente pela metade, custando R$ 12,90.  “Demorou um pouco, mas acabou saíndo”, diz a Farmacêutiva Gabriela Izar, fã da banda Fresno. “Sempre gostei de comprar CDs, mas o preço realmente é muito alto. Com esse pacote o preço é mais baixo, e encaixa no meu orçamento, embora a qualidade da arte seja um pouco inferior do que de costume”, complementa Gabriela.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

SAINDO DA CAVERNA CULTURAL

Júlia Gracielle jrn6

“...Num primeiro momento, ficaria completamente cego, pois a fogueira na verdade é a luz do sol, e ele ficaria inteiramente ofuscado por ela. Depois, acostumando-se com a claridade, veria os homens que transportam as estatuetas e, prosseguindo no caminho, enxergaria as próprias coisas, descobrindo que, durante toda sua vida, não vira senão sombras de imagens (as sombras das estatuetas projetadas no fundo da caverna) e que somente agora está contemplando a própria realidade.
Libertado e conhecedor do mundo, o prisioneiro regressaria à caverna, ficaria desnorteado pela escuridão, contaria aos outros o que viu e tentaria libertá-los.”

O texto acima foi retirado do clássico “Mito da Caverna” perfeitamente narrado por um dos maiores filósofos da história, Platão. Quem ainda não teve a oportunidade de saborear esta alegoria, faça-o. Em síntese o que pretendo mostra é com que alguém possa sair da própia caverna e que conheça algo novo, que pudesse tirá-lo de uma verdadeira hegemonia cultural. Para tanto lançamos um desafio.

Viaduto Santa Tereza


O desafio
J.I: Você conhece a cultura Hip-Hop?
M.R.S: A fundo não.
J.I: Gostaria de participar de um desafio e conhecer?
M.R.S: Sim! (Receioso)
Perfil do Desafiado
Nome: Moisés Rodrigues da Silva
Idade: 24 anos
Profissão: Coordenador de controle de qualidade
Cidade: Santa Luzia
Atividades: Estudante
Estilo musical: Pop rock nacional
Literatura: “Nem gosto de ler! Só revistas em quadrinho.”
Lazer: Viajar e futebol

A batalha

Sexta-feira, dia 15 de abril de 2011. São 21h45 em Belo Horizonte, mais especificamente no centro da cidade, onde se reúnem aproximadamente 400 jovens, sob o histórico viaduto Santa Tereza. O local que fica próximo à Praça da Estação, à essa hora da noite recebe em suas vias largas milhares de pessoas, muitas estão indo para casa depois um dia de trabalho, outras estão chegando para aproveitar a noite em boates, barzinho, e tem aqueles que ficam para curti mais um Duelo de Mc’s. A temática de hoje é: O HIP-HOP E A CIDADE. Para que o duelo aconteça é necessário que haja pelo menos 10 inscritos. Cada um paga o valor simbólico no valor de R$2,00, e o vencedor leva o dinheiro arrecadado. Desta vez foram 16 desafiantes que de dois em dois subiam ao palco para levantar para o público, rimas inteligentes e surpreendentes. Mas naquela noite dois mestres de cerimônias foram implacáveis em suas rimas e fizeram toda a diferença. Ficaram para a final Destro e Inti que precisavam de 5 rounds, a decisão do público e dos juízes foram a mesma que era o empate.

Viaduto Santa Tereza

O projeto

O evento acontece todas as sextas-feiras, sendo um dos mais tradicionais em BH, que reúne jovens adeptos da cultura hip-hop. De acordo com o organizador Junior Silva – Juninho como prefere ser chamado: o objetivo é difundir a cultura através das batalhas que os próprios mc’s realizam improvisoriamente. O evento tem como objetivo fortalecer a cultura em Belo Horizonte, proporcionando aos jovens uma opção que não seja a criminalidade. Juninho diz: “Nós fazemos questão de ressaltar que não é necessário a violência para sermos ouvidos. Muito pelo contrário, quando usamos a força física, ela se volta contra nós e ai só saímos perdendo. A música, a dança e o grafite são ferramentas que o hip-hop nos dá para que possamos expressar nossas opiniões de maneira inteligente”. Além dos duelos, cada semana um DJ é convidado para tocar e outros artistas da vertente do hip-hop têm a oportunidade de mostra os próprios trabalhos durante os intervalos.

Viaduto Santa Tereza

A iniciativa de organizar o movimento foi de um grupo de amigos, que surgiu depois que Belo Horizonte sediou uma etapa da Liga dos MC's. No dia 24 de agosto de 2007, cerca de 40 pessoas se reuniram na Praça da Estação para fazer uma “disputa” de rimas. Com o passar do tempo os encontros que inicialmente eram casuais e entre amigos, começou a atrair outras pessoas que também têm o mesmo gosto cultural. Assim sendo formado o grupo Família de Rua e o encontro tomou as proporções vistas até hoje.


Um pouco de história

O inicio da cultura hip-hop ocorreu na cidade de Nova Iorque-EUA, no bairro chamado Bronx. No ano de 1960, Bronx mostrava um cenário de violencia, droga e preconceito. Os primeiros adeptos do movimento eram negros e pobres que viviam nos chamados guetos, a idéia da cultura recém nascida, era fazer algo para que chegasse até aquelas pessoas, ou que tivesse opção de lazer. Mas que não sabiam que com a própria voze pudesse chegar aos ouvidos dos governos locais, pois estes gritavam por paz, justiça e igualdade racial.



O ícone do hip-hop na época de 1960 chamava-se Kool Herc, um DJ que “inventou” o chamado Toast - modo de cantar de maneira fraseada e com rimas bem elaboradas, trazendo na mensagem idéias polêmicas como sexo, droga, política ou até mesmo assuntos do dia-a-dia. A cultura alicerçou-se em 4 elementos, que são utilizados até hoje: o MC, que é a pessoa que cria e canta a rima; o DJ que faz a instrumentação das letras; a dança do breakdance e por fim o grafite.


E nos guetos brasileiros

No Brasil, a cultura Hip-Hop chegou no início da década de 80. A princípio não houve nenhum boom musical. Pelo contrário os adeptos começaram a caminhar com passos bem pequenos. No Brasil, o hip-hop conquistou primeiro, através da dança de rua. Um dos marcos na história da cultura no Brasil foi em 1983, a Globo colocou na abertura da novela das 20h, “Partido Alto”, dançarinos de break.

O resultado do desafio

Mais uma sexta-feira é coroada com O Duelo de MC’s. Uma das mais marcantes manifestações culturais em Belo Horizonte. Apesar de pouco conhecida continua resistindo às dificuldades, como a falta de apoio governamental e por falta de apoio da própria sociedade civil. “Muitas pessoas preferem julgar, ao invés de vir e conhecer o movimento que faz tão bem pra tantos jovens, ou que poderiam estar envolvidos com a criminalidade”, desabafa Delfo, dançarino de break que mora na favela do São Tomáz e participa de todos os encontros da Família de Rua tanto no Viaduto Santa Tereza quanto nas ações realizadas nas comunidades. Diferente destes que Delfo citou, Moisés que aceitou o desafio diz: “Pude perceber que o hip-hop fala através das roupas das pessoas que seguem o movimento, através da dança, da arte feita pelos grafiteiros. Vocês viram que desenhos bacanas eles fizeram lá no viaduto? Até ontem, pra mim isso não passava de pichação. As letras que eles cantam falam até mesmo da minha vida, do meu bairro que deveriam ser contemplado com ações sociais. No final, o resultado do duelo foi: CULTURA 1 X 0 PRECONCEITO. Tire suas conclusões e vejam mais uma vez, que Platão estava certo. Vale a pena sair da caverna?

Empresas comprometem vida de estagiários


Alunos trocam desvio de função por experiência ou pelo salário

Wellington Martins

Não é segredo o fato de que o estágio muitas vezes se configura em cenário claro de desvio de função, prática comum em organizações que buscam mão de obra barata e que em alguns casos resulta até mesmo em exploração. A empresa que lança mão desse expediente age de má fé e incorre em ação ilícita. A publicitária e relações públicas Clarice Fernandes Barroso (24) realizou quatro estágios durante o período acadêmico e diz que as empresas usam de artifícios ilegais para a contratação de estagiários. “É muito fácil burlar a papelada, inventar um suposto “superior da área” para assinar o estágio do aluno. Não seria viável que as universidades fiscalizassem as empresas, mas o suporte ao estagiário poderia ser melhor”, afirma.
Felícia diz que competição do mercado acaba ff do 
favorecendo o desvio de função
Para a psicóloga Felícia Costa Rodrigues, o estágio é a oportunidade que o aluno tem para praticar atividades que gerem o aprendizado profissional, ou seja, é a etapa que o estudante possui para conjugar o conhecimento teórico que adquire na academia com a prática do mercado de trabalho. “Muitos alunos não entendem o real papel do estágio e sentem muito medo de errar, de perguntar e de demonstrar que não estão seguros ou que precisam de auxílio. Isto é um erro, pois estão no lugar certo para esses questionamentos. Eles estão nas empresas para aprender e se já soubessem, não necessitariam estagiar”, afirma. A psicóloga diz que o estágio é a fase em que o estudante pode reforçar a sua escolha profissional através da prática e sentir se realmente tem afinidade com a profissão escolhida. “Nesse caso, o desvio de função e a má remuneração seguida de trabalho excessivo acabam comprometendo o papel do estágio”, alerta.
 
A profissional de relações públicas Fernanda Delmiro Dias (24) estagiou em três empresas. Em duas delas, o desvio de função era prática corrente. “Na primeira, fui contratada para trabalhar com aplicação de questionários de avaliação dos clientes, tabulação, análise de dados e implantação de melhorias e soluções, mas, além disso, atuava no atendimento e recepção dos clientes, atividades que não exigem conhecimentos acadêmicos. Já na segunda empresa, trabalhava com publicidade e comunicação interna da loja. Mas, por causa de uma crise financeira, o setor de marketing foi fechado e fui remanejada para a recepção”, diz.

Luciano formou em jornalismo em 2010 e atualmente já está contratado como assessor de imprensa
O estudante de jornalismo, Luciano Gonçalves Coelho Calixto (25), fez cinco estágios e conta que em diversas ocasiões exerceu algum tipo de função que não era compatível com a sua área, mas ressalta que a experiência foi importante para expandir seus conhecimentos em outros campos de atuação. A vivência contada por Luciano Gonçalves e sua permanência na área de jornalismo condizem com as considerações feitas por Felícia Costa. “Outro ponto importante é que no estágio o aluno pode reforçar a sua escolha profissional, pois muitas vezes é na prática que este tem a oportunidade de sentir se realmente tem afinidade com a profissão escolhida”, conclui a psicóloga.

Influência econômica

Ao se deparar com atividades totalmente fora do que aprende na academia, muitas vezes o aluno continua estagiando porque depende da remuneração para o custeio dos estudos. Segundo o Núcleo Brasileiro de Estágios (Nube), a média geral paga a estagiários no Brasil é de R$683,33. Na área de Comunicação, a bolsa de estágio é em média R$701,64, ou seja, acima da média geral. 

Fernanda atualmente trabalha na Unimed como como analista de relacionamento
Perguntada sobre o porquê de não ter reclamado do desvio de função aos seus superiores ou para a universidade na época em que estagiava, Fernanda Dias disse que não poderia se queixar porque dependia do estágio para pagar a escola. “Não poderia me dar “ao luxo” de sair das empresas para procurar outra oportunidade, pois eu correria o risco de não encontrar algo com tanta facilidade ou rapidez”, afirma. A relações públicas disse ainda que a atuação das faculdades no acompanhamento de alunos nos estágios é muito deficiente: “Se fossem mais presentes e fiscalizassem, acredito que muitos estágios seriam indeferidos”, conclui.

Na outra ponta da questão econômica estão os baixos salários que não atraem alguns graduados. Estes preferem trabalhar em outras áreas que não têm relação com a formação acadêmica adquirida. O jornalista formado Helder Matias (25) atualmente trabalha como auxiliar administrativo e não fez estágio no período da academia. “Não passei por esse processo em virtude das poucas oportunidades ou de ofertas de vagas com baixa remuneração. O mercado no jornalismo tanto para estágio quanto para emprego é bem fechado em determinadas áreas e/ou muitas vezes com remuneração aquém do esperado”, afirma. Helder Matias entende que situações como a dele de se encontrar fora do marcado de sua formação acadêmica é resultado, em um primeiro momento, da falta de oportunidade e, depois, da opção que ele próprio fez.

Nova Legislação garante proteção ao estagiário

Érika Pereira

A Lei do Estagiário (17.788/08) enfatiza, em seu artigo primeiro, que o estágio é ato fundamentalmente educativo, que visa à aquisição de competências para o trabalho e para a vida em sociedade. Determina ainda a supervisão e o acompanhamento das atividades, bem como a relatoria delas.

O coordenador do curso de Jornalismo Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH) Luciano Andrade Ribeiro, diz que algumas medidas são tomadas para evitar o problema, mas a falta de fiscalização ainda é um obstáculo a ser vencido: “Todo desvio de função é prejudicial para o aluno. A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) prega a não permissão de estágios em que abusos contra os estudantes são praticados, porém, ela não consegue barrar ou controlar essa atividade”. Segundo ele, o motivo da decisão é evitar que os alunos sejam submetidos a desvios de função e, até mesmo, a que trabalho equivalente ao de um profissional seja feito por um estagiário.

Para a Associação Brasileira de Estágios (Abres) a nova legislação inibe a utilização de estagiários como mão de obra barata – já proibida, mas comumente praticada na vigência da Lei anterior. A empresa que não respeitar estritamente as cláusulas contratuais e descaracterizar o estágio – com desvio de função ou excesso de carga horária, por exemplo – está sujeita a multa do Ministério Público do Trabalho, que reinterpretará o contrato a partir das cláusulas que regem a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A empresa que descumprir as regras fica impedida de contratar estagiários por dois anos. A Lei estabelece o meio termo entre o abuso de estagiários como mão de obra barata e a não contratação.

Os agentes de integração também podem ser responsabilizados civilmente se indicarem estagiários para a realização de atividades não compatíveis com a programação curricular estabelecida para cada curso, assim como estagiários matriculados em cursos ou instituições onde não há previsão de estágio curricular. Essa deliberação pretende zelar pelo cumprimento das funções sociais e educativas dos estágios profissionais, tarefa cuja responsabilidade deverá ser compartilhada pelas empresas concedentes, instituições de ensino, agentes integradores e os próprios estudantes.

Luciano alerta os alunos a procurarem a CEI caso haja alguma irregularidade no estágio
O papel das instituições acadêmicas de fiscalizar as empresas para coibir a prática da dupla função também mereceu destaque por Luciano Ribeiro. “O UNI-BH conta com a Coordenadoria de Estágio Institucional (CEI) que é o setor responsável por avaliar as empresas interessadas em oferecer estágios para o aprendizado dos alunos da instituição. Quando alguma irregularidade acontece, o aluno mesmo traz essa questão para a CEI e, dessa forma, a empresa é descredenciada e não pode buscar mais nenhum estagiário conosco”, conclui. A bacharel em direito Kedma Karoline dos Reis da Silva (25) realizou dois estágios afirma que as faculdades em geral ainda não fiscalizam com pulso firme os estágios. “Há alunos que ainda são
submetidos a exercer outras funções que não condizem com a sua formação acadêmica e as faculdades nada fazem porque isso seria um gasto financeiro extra para elas. A meu ver tal fiscalização deveria ser obrigatória e constante”, diz.

Salários em alta

Veja os maiores salários médios para estagiários do Brasil de acordo com o Núcleo Brasileiro de Estágios (Nube):

1º - Engenharia R$1.022,30
2º - Relações Internacionais R$ 1.008,38
3º - Economia R$ 999,27
4º - Química R$ 897,45
5º - Arquitetura e Urbanismo R$ 896,35
6º - Biblioteconomia R$ 883,60
7º - Nutrição R$ 880,40
8º - Estatística R$ 880,40
9º - Ciências Atuariais R$ 817,61
10º - Matemática R$ 802,12

Obs: A média de comunicação social é de R$701,64, superior a média geral R$683,33